Era uma vez um guarda-chuva....


O guarda chuva é algo mágico, que serve para muito mais que nos proteger da chuva(...)


Seja num desenho, na ficção ou num terreno fértil de criatividade, o guarda-chuva guarda além da chuva, os nossos segredos e mistérios tantos, que cabem perfeitamente embaixo dele.


Você conta seus segredos para qualquer um?


Você abriga qualquer um sob seu guarda-chuva?


Bem Vindos ao My Umbrella...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

‎As pessoas mudam........Mesmo?

Eu me apaixonei perdidamente uma certa vez. Foi há muito, muito tempo atrás. Era uma pessoa muito interessante, assim, do meu ponto de vista. Mesmo que amigos em comum achassem que meu gosto era meio estranho, não pela parência, mas pelo comportamento da pessoa. Uma pessoa assim, anti-social, sempre na dele, dificilmente ele ria de alguma piada, parecia achar todos nós um bando de bobos. Na época, eu ainda namorava, um namoro que estava já em decadência, e olha, eu tinha verdadeiros motivos para sentir isso. Não sei se no fundo essa paixão foi uma válvula de escape, mas eu sei que segurei o sentimento durante cerca de sete meses, tentando dizer a mim mesma: você só está frustrada com seu namoro, isso não é um sentimento de verdade. Só sei que o sentimento tava muito difícil de segurar, se é que é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, devia ser isso o que eu estava passando. Até que eu fui percebendo, que nos dias em que via aquela pessoa, eu me arrumava mais, muito mais. Meu coração batia com mais força, eu realmente sentia vontade  de vê-lo. E tantos outros sentimentos, que a gente só tem quando se apaixona, passaram a aflorar forte em mim. E faltava um passo para sair do outro relacionamento, que eu sabia, estar por um fio, eu já não aguentava mais ser mal tratada, por um egoísta, um cara que nem sequer se preocupava em se cuidar, nem para me ver. Uma pessoa que já não me dava valor, não o que eu merecia. E pesando 3 anos de namoro, e um monte de lembranças e coisas profundas de um relacionamento, fui arrastando e dando chances, até não sobrar nada. Nem eu mesma, porque abri mão de mim, da minha vida, e de todos à minha volta, para amar aquilo acima de tudo. Numa noite, o garoto por quem eu já estava apaixonada, saiu comigo para conversar, como sempre fazíamos. A noite foi ótima. Mas, na vez seguinte que nos vimos, ele já não olhava nos meus olhos. Me tratou friamente, secamente, com pequenas patadas e silêncios. E eu sem entender nada, nada mesmo, fiquei durante três meses tentando entender aquele mau trato. E nessas dúvidas, do que eu teria feito, e nessa dor de saudade, vi que estava apaixonada irremediavelmente, e que era melhor não tentar nada, porque se ele simplesmente agia assim com alguém, sem nem dizer o porquê, devia ser difícil a convivência. Se tem uma coisa que eu sou, é inocente. Inocente de achar que seguir o próprio coração é o melhor caminho na vida. Fui atrás. Perguntei se poderia conversar comigo naquele fim de tarde. A resposta foi não. "Nem por 10 minutos?" Não. Me conformei de que pelo menos eu havia tentado entender, mas ele não queria, então, larguei mão. Ao sairmos, perguntei o que tinha de tão importante para fazer que não poderia ceder 10 minutos de seu tempo. Então ele disse que tudo bem, e fomos embora juntos. Só sei que humildemente, perguntei se fiz algo de errado, e ele disse que não, que estava com problemas em casa com a família. Eu disse que  senti saudade, e coisa meio que encaminhou para minha vida particular, como sempre. A verdade é que ele nunca se abriu. Foi sempre assim, bem aos pouquinhos, com uma insistência minha, eu até achava que falava demais, mas sei que não era isso, simplesmente ele não tinha o costume de se abrir.


Na mesma noite, essa pessoa me ligou, e convidando para ver um filme no dia seguinte. Nós fomos. E no dia seguinte à esse, recebi uma das mais lindas declarações de amor do mundo. Um dos meus motivos de perdição. Daí pra frente, as coisas encaminharam-se rápido demais. O que foi me deixando com medo, de um fim também rápido.Coisas lindas foram me acontecendo, coisas que eu nem sabia que gostava, e aquilo passaria a ser um sonho realizado. Com o tempo, fui vendo que nem tudo era um mar de rosas, e fui me decepcionando. Me decepcionando com tanta coisa, e fui tendo um tratamento cada vez mais frio. Tanta coisa para mudar, para concertar, que pensei ter mudado, mas não, não foi. Tudo muito ambíguo: momentos intensamente felizes e amorosos, e por uma coisa pequena, uma frieza enorme. A verdade é que não fiz o meu melhor, tinha ainda muito que aprender, mas este meu jeito inocente sempre me meteu em encrencas. Crescer junto, sonhar junto, fazer planos. Evoluir na vida, realizar metas. Os medos, as inseguranças, eu os tenho e muito, mas quem não os têm? Pra quê serve um relacionamento afinal? Não seria para companheirismo, carinho, dividir momentos bons e ruins? Ter o sorriso da pessoa, procurar cuidar, fazer por onde mostrar a ela, que ela é amada? Se há metas, qual o problema de se incluir o parceiro nelas? Isso é colocar o relacionamento acima de tudo, ou querer compartilhar sua vida? O pior de tudo é que a pessoa me usa como válvula de escape: começa por mim a mudar a vida. Agora, começa a fazer tudo aquilo que desejei, que incentivei.


Sofri muito. Muito mesmo. Não tenho palavras ainda para descrever o que passei, as coisas que ouvi. Tudo aquilo que eu era, foi desmerecido, foi jogado pela janela. Sem remorso. Sem preocupações. Sem importância. Tem uma coisa que eu acho importante, quando você vai dizer algo que não gosta em outra pessoa: nunca fale como se ela só tivesse esses defeitos que você não gosta. Uma pessoa é sempre cheia de virtudes, e fazendo isso, você desmerece completamente o resto. Saiba criticar, sem desmoralizar o outro, sabendo também elogiar. Saber balancear as coisas, é o mínimo que você pode fazer, ao tomar decisões importantes. Nao juntar tudo o que não gosta revoltar-se e ser radical. E acima de tudo: nada, nada justifica você ser cruel. Seja cruel, e isso vai se voltar contra você, muito, muito pior.


Tenho também a inocência de fazer tudo aquilo que quero que façam comigo. Todo cuidado no que falo, para não ofender, penso bem antes de falar, e só se estiver muito nervosa, acabo trocando pés pelas mãos, mas sem ofender, apenas sendo confusa nas palavras. Procuro nunca ser cruel, não machucar os outros. Sou sincera, dura até, mas judiar dos outros não é minha virtude. Mas eu descobri, com o passar do tempo, que as pessoas não são assim. Não importa muito como você é com elas, se você for grosso elas serão grossas, óbvio, mas se for gentil, não vai fazer diferença. O melhor mesmo é ser gentil por educação e realização sua, se esperar algo dos outros, vai ficar esperando para sempre. A única diferença que você faz é ser você mesmo, ser alguém gentil e doce no mundo. O mundo não vai mudar por você, nem te esperar. Mas as  pessoas  mudam. Elas mudam de aparência, de linguajar, de gírias. Mudam inclusive as coisas boas. o que é um absurdo. Mudam o respeito, a docilidade com que tratam as outras. Uma grande importância, sem motivos, passa a ser uma coisa insignificante, talvez não realmente insignificante, mas nas aparências, sim, passam a ser. Mudanças são boas. Quando são verdadeiras, e para o bem. Uma pessoa realmente feliz não maltrata os outros, não age de jeito egoísta, nem tem necessidade de se mostrar, de machucar ninguém. Uma pessoa que pisa nas feridas dos outros, principalmenete se as tiver causado, não me parece ser feliz, ou merecer a felicidade. É esse o caminho então? Eu uso para o que me convir, quando estiver cansado, ou não sendo do jeito que eu quero eu junto tudo e jogo fora? Deve ser um dos meus defeitos: dar chance demais às coisas. Procurar consertar as coisas, sempre. Seguindo o sentimento, ao invés de ser racional. Uma das coisas que mais faço é seguir estes diálogos internos que não me deixam em paz. Realmente não me deixam em paz. E talvez essa bússola que sigo esteja errada. Já descobri que com os seres humanos, não podemos ser sinceros. A sinceridade aparentemente acaba com tudo. E é minha maior dificuldade. Segurar a dor, ou o pranto. Sou muito feliz, e sorrio muito durante o dia, sinceramente, mas nos momentos de dor, parece que eu tenho que guardar, que fingir, porque senão eu serei a fraca. Ou a coitada. Ou aquela que está tendo o que merece. Sendo que para mim isso é tão ridículo. Eu acho que se eu estou sofrendo, o certo seria falar mesmo, e receber apoio, amizade. Mas segundo, uma senhora muito inteligente por sinal: "se você está para baixo, as pessoas só vão lhe jogar mais para baixo.". Que absurdo. Já não existe mais a responsabilidade pelo que se cativa, que eu tanto tento manter. As pessoas mentem, mesmo quando é alguém sincero perguntando se estão bem. Querm fazer pose. Querem parecer não estar nem aí. Ainda não entendo muito isso, mesmo tendo apanhado bastante disso para aprender. Aprendi muitas coisas, e perdebi muitas mudanças em mim. Elas não foram de uma hora para outra, mas só parando para perceber. Já não me afundo na tristeza de antes. Não me afogo na mágoa, saio, faço o que quero e tenho que fazer. Procuro não me cobrar, pois isso já destruiu muito minha vida. Procuro ser gentil e doce, apesar de tudo, tendo estado feliz, muito feliz. Mas dói sim, e muito às vezes. Dói olhar para uma pessoa e não vem mais a pessoa que você tanto amou. Dói amar alguém que não existe mais, um alguém doce, que se importa, que é gentil, que é especial, e que talvez ainda esteja vivo, em algum lugar daquela pessoa. Dói como se um parente querido tivesse partido. Pra mim é uma dor assim, como se alguém tivesse morrido. E claro dói ver que você ama alguém, que talvez nem sequer exista, pois essa frieza me é muito estranha. E é algo que estou sendo alvo pela segunda vez. Com algumas diferenças, que inclusive eu exigi, mas... É assim? Frieza e ódio? Se o desejo é de amizade, como pode voltar a ofender, voltar a dizer coisas horríveis para a pessoa? Realmente ela merece isso? Depois de tudo que foi passado, depois de uma bela dose de sofrimento também? Respeito o pela situação do outro é tão difícil assim? O que nos custa ter paciência e jeito em lidar com o outro?

Ainda sobre a sinceridade, me perguntei muito se devia dizer isso á pessoas que lêem este blog. Mas afinal ele foi feito para isso: desabafos, e que meus amigos saibam da minha vida. Saibam que preciso da ajuda deles, e que nem tudo são flores. O estranho aliás, é se eu não estivesse sentindo nada de ruim. Afinal, o término de um relacionamento é assim mesmo! É alguém que faz parte da sua vida, e vai fazer pelo resto dela. Passar por isso sem sofrer, fingindo, se negando a reconhecer qualquer falta, é no mínimo estranho. E claro,
uma grande mentira.




sexta-feira, ‎15‎ de ‎janeiro‎ de ‎2010, ‏‎cerca de 7:40 da manhã

3 comentários:

Bruna Landim disse...

Talvez, seja por isso que confesso ter guardado um pouco de raiva ou até mesmo medo de conversar contigo, ou então por causa da minha cabeça caótica de vestibulares e teatros para tomarem conta. De fato, sofria uma espécie de identificação com a sua pessoa, conto sem muitos detalhes, que o meu amorzinho platônico, na realidade um amigo conhecido atualmente, começou bonito e terminou sem terminar direito, não entendi como as coisas de repente encontraram o rumo que é hoje, tão distante, tão frio. A dor é como a morte de alguém da família, dizes bem. Mas, por incrivel que pareça, "a gente se acostuma, mesmo com coisas que não são para se acostumarem", tudo passa, mas esse sentimento de tristeza fica, - graças a deus!, - como literatura, como arte, como a pessoa que você é, sempre em movimento constante da pessoa que nunca se tornará. Um grande abraço.

Bruna Landim disse...

No mais, o mangá que vc me disse, - sim depois de anos eu venho falar, - não procurei ainda por estar uma lista enorme de livros para lerem. Mas, agradeço carinhosamente a dica, eu gosto de mangás até hoje, sinceramente, (espero que não tenha nenhum intelectual chato aqui) muitos deles eu considero a grande e nova literatura contemporânea.

Weslley Rocha disse...

As pessoas entram e saem de nossas vidas.Até os pais vão sair, seja por motivos particulares ou pela morte.Nós devemos aprender com as pessoas, e quando chegar a hora delas partirem, mesmo que seja doloroso, devemos olhar para trás, ver o que conseguimos de bom e continuar adiante.
Já sofri uma experiência muito dolorosa de desapego.Eu tive um amigo do jardim de infância até a quarta série.Éramos inseparaveis.Dormiamos um na casa do outro, nos vestiamos parecidos para parecer irmãos, porque era o que sentiamos um pelo outro.
Até que na quinta série fomos nos afastando, e hoje, eu não faço a miníma ideia de como é a vida dele.
Mas penso como fui feliz, e que essa separação teve sim lados bons, porque quanto mais dura é a situaçao, mais aprendemos com ela.
Então, força Gih, e SAUDADE.