Era uma vez um guarda-chuva....


O guarda chuva é algo mágico, que serve para muito mais que nos proteger da chuva(...)


Seja num desenho, na ficção ou num terreno fértil de criatividade, o guarda-chuva guarda além da chuva, os nossos segredos e mistérios tantos, que cabem perfeitamente embaixo dele.


Você conta seus segredos para qualquer um?


Você abriga qualquer um sob seu guarda-chuva?


Bem Vindos ao My Umbrella...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Quem é você mesmo?

Você vive  a sua vida assim, mecanicamente, na rotina, sem se dar conta do porquê? Você acorda, levanta, faz o que tem que fazer. Você come, ou não? Você abre alguma janela de manhã? Você trabalha, estuda, descansa, faz planos para o dia? Você beija o rosto de alguém, ou  faz uma prece antes de sair de casa? Você agradece pelo dia que se inicia, ou suspira por sair da cama?
Você já parou para se perguntar o que você é?
Você é um ser humano, ou uma máquina?
Você consome o capitalismo, ou o alimenta?
Você mata um leão por dia?

Você vive cada dia em busca de realizar um sonho seu?
Pouco a pouco, luta por um ideal, que o fortalece, que o ajuda a caminhar sem tropeçar?
E quando você cai? Vc se lembra deste ideal e se levanta?

Você já parou para se perguntar quem é você?
Você é uma pessoa única no mundo, ou um número em série?
Sua foto no R.G. é você mesmo(a)? Há algo de você naquela foto?
Quantos anos, meses e dias, vc tem? Ou você completa primaveras?
Por que você respira? Por quem?


Diga, quem você é me diga
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida

Tira, a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser

Ninguém merece ser só mais um bonitinho
Nem transparecer consciente inconsequente
Sem se preocupar em ser, adulto ou criança

O importante é ser você, mesmo que seja, estranho
Seja você, mesmo que seja bizarro bizarro bizarro

Tira, a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser

Ninguém merece ser só mais um bonitinho
Nem transparecer consciente inconsequente
Sem se preocupar em ser, adulto ou criança

O importante é ser você, mesmo que seja, estranho
Seja você, mesmo que seja 


Quem é você?
E quem é você para os outros? E quem é você para você mesmo?

Comentei com um amigo, que as pessoas parecem ter prazo de validade
passado um tempo o amigo, o namorado, o vizinho
todo mundo muda. Mas algumas pessoas mudam pra pior. Não sei dizer se somos nós, que amamos uma imagem que fazemos da pessoa, e de acordo com o tempo, vamos vendo que não é o que fantasiávamos, ou se simplesmente as máscaras vão caindo. Tenho um amigo muito sábio que diz assim: prefiro conhecer as idiotices dos outros, e eu mesmo, vou mostrando minhas cagadas logo de início, se a pessoa gostar realmente de mim, ou se for para gostar, é melhor que ela conheça meus defeitos primeiro,e me aceite como eu sou. Ele é um amigo muito sábio, e, apesar de eu achar que as pessoas se queimam muito logo de início eu entendo o que ele quer dizer. Se é para se decepcionar com alguém, decepcione-se logo, e aceite a pessoa, passe até a entender que aquilo faz parte dela. Quem sabe os defeitos não sejam tão defeitos e você possa amá-los. Já ouviu falar que quando amamos alguém amamos seus defeitos também?
Aliás, se você quer ficar com alguém, de verdade, tem que aceitar o pacote completo. Não tem manual, nem devolução. Nem mesmo se o defeito for de fábrica. Acho que esse é o mais raro de as pessoas entenderem: não dá pra devolver não, meu amor. "Você é responsável por aquilo que cativa"
Mas o pior é quado você pensa que conhece alguém. E depois vai descobrindo as mentiras, ou melhor, as verdades, como pedaços de pão deixados pelo caminho. Me senti assim, uma vez: como a pequena Maria, juntando as migalhas, de um rastro de alguém que desapareceu. E fui descobrindo uma pessoa que era diferente do que achava que era, muito diferente em ações, palavras. E fui descobrindo os podres, e claro, as verdades que eram apenas verdades, nem boas nem ruins. E você vai se perguntando: poxa, mas com quem eu convivi afinal?? Com a parte verdadeira ou com uma farsa?
E a resposta é com as duas. Porque as pessoas têm diversas facetas. Digo as pessoas porque como eu disse, minhas facetas são pura e simplesmente literárias. Não aprendi a ser a Gisela no trabalho/casa/na balada/sei lá o quê. Às vezes claro, entre amigos eu me solto beeem mais, mas no fundo as piadas continuam as mesmas, só o que muda é se eu exteriorizo ou não. Mas estou aprendendo um pouco sobre isso ultimamente. Esse meu amigo, me deu um grande conselho:
"não é só a sinceridade que tem um custo, a mentira e a manipulação também tem... aliás tudo tem um preço, e ja que é pra arcar com um preço não é melhor arcar com o preço de ser quem vc é? e fodam-se os outros..." Ele tem razão. É preciso saber fazer o melhor com o que se tem. Mas tem algumas coisas, que ainda estranho nos outros...A falta de sinceridade consigo mesmos, diante dos outros.
Se você gosta de dançar, qual o problema? Fazer Air Guittar é a coisa mais comum do mundo, e cantar no chuveiro é algo comprovado cientificamente: a água estimula nossa cantoria.
Se eu quero bater os pés(e aliás, não consigo me controlar) ao ouvir música no ponto de ônibus, qual o problema?
Contanto que eu não incomode ninguém, porque o mundo teima em se incomodar com coisas simples? Enquanto esconde por dentro um monte de sujeirinha. Não é melhor admitir logo o que você é, e parar de se frustrar com os outros também?

"No fundo o que importa não é o que você é, nem onde está. Mas o que quer ser. E onde quer estar"
Você é o que quer ser ou o que querem que você seja?


Little By Little

Pouco a Pouco

We the people fight for our existenceNós, o povo, lutamos por nossa sobrevivência
We don't claim to be perfect but we're free Nós não nos julgamos perfeitos,mas somos livres
We dream our dreams alone with no resistance Sonhamos nossos sonhos sozinhos sem resistencia
Fadin' like the stars we wish to be Enfraquecemos como as estrelas que desejamos ser
You know I didn't meanVocê sabe que eu não quis dizer
What I just said O que eu acabei de dizer
But my god woke up on the wrong side of his bed Mas meu Deus acordou de mau humor
And it just don't matter now e isso não importa mais agora
'Cause little by littlePois pouco a pouco
We gave you everything you ever dreamed of Nós lhe demos tudo que você sempre sonhou
Little by little Pouco a pouco
The wheels of your life have slowly fallen off As rodas da sua vida estão caindo lentamente
Little by little Pouco a pouco
You have to give it all in all your life Você tem que abrir mão de tudo na sua vida
And all the time I just asked myself why, are you really here? E todo o tempo eu só me pergunto por que, realmente você está aqui?
True perfection has to be imperfectA verdadeira perfeição tem de ser imperfeita
I know that that sounds foolish but it's true Eu sei que soa bobo mas é a verdade
The day has come and now you'll have to accept O dia chegou e agora você terá de aceitar
The life inside your head we give to you A vida dentro de sua cabeça que nós demos a você
You know I didn't meanSaiba que eu não quis dizer
What I just said O que eu acabei de dizer
But my god woke up on the wrong side of his bed Mas o meu Deus acordou de mau humor
And it just don't matter now E isso não importa mais agora
'Cause little by littlePois pouco a pouco
We gave you everything you ever dreamed of Nós lhe demos tudo que você sempre sonhou
Little by little Pouco a pouco
The wheels of your life have slowly fallen off As rodas da sua vida estão caindo lentamente
Little by little Pouco a pouco
You have to give it all in all your life Você tem que abrir mão de tudo na sua vida
And all the time I just ask myself why you really here? E todo o tempo eu só me pergunto por que, realmente você está aqui?
Hey!Hey!
Little by littlePois pouco a pouco
We gave you everything you ever dreamed of Nós lhe daremos tudo o que você sempre sonhou
Little by little Pouco a pouco
The wheels of your life have slowly fallen off As rodas da sua vida estão caindo lentamente
Little by little you have to give it all in all your life Pouco a pouco você tem que abrir mão de tudo na sua vida
And all the time I just ask myself why you really here? E todo o tempo eu só me pergunto por que realmente você está aqui?
Why am I really here? Por que realmente eu estou aqui?
Why am I really here? Por que realmente eu estou aqui?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Oração Poética (título dado por Bruna Landim)

Deus,
primeiro de tudo
eu queria agradecer
agradecer por estar viva, por estar aqui neste momento, por ter a dádiva
que se chama presente. 

Eu sei que na verdade sou apenas um ser humano
tentando achar o motivo da curta existência Neste breve espaço de tempo, que é a vida. Sei que talvez nem seja um direito meu, ou da minha capacidade, entender o mundo, mas me explica, me explica o porquê.


Me explica por que tenho o dom de saber quando as pessoas mentem 
num mundo onde a boa convivência depende disso 
Me explica por que tenho a bendita sinceridade, que vem indomável na boca 
num mundo onde ela de nada me serve além de  fazer intrigas 
Me explica minha incapacidade de dançar conforme a música, de usar máscaras, de ser maleável, de manipular, de ser manipulada, de usar a hipocrisia como principal arma,
sendo que essas são as qualidades principais da sociedade 
Me explica essa mania de defender o mais fraco
ao invés de pendurar-me e subir com o mair forte 

Deus,

Me faz entender o por que do meu peito doer forte à descoberta das mentiras, de antes e as do presente, àquelas que me são ditas na frente, cara a cara 
Me faz entender a capacidade do ser humano, de destruir e pisar no outro, não só por necessidade, não só por interesse, mas por prazer
Me faz entender por que penso em caridade e sinceridade 
num mundo onde a crueldade é vista como força
Me explica a tentativa de honestidade, de amizade
num pedaço de mundo onde as pessoas usam e abusam das outras, mascando-as como chicletes, e depois as cospem fora

Deus,

Me explica o por que da minha insistência em acreditar, acreditar e acreditar
quando o que mais vejo são pessoas destruindo umas às outras, enquanto se acobertam por religião, por profissão, por cargo, por situação financeira
Me faz entender a repressão em cima do meu jeito: querer entender, ao invés de apenas obedecer
Me explica onde, quando apenas indago as coisas, estou afrontando alguém
Me explica o por que dessa incessante busca por alguém  que me entenda, que me ouça, que queria também, viver num mundo um pouco mais simples, sendo apenas o que somos
Me explica por que me sinto tão só, num mundo infestado de gente
Me diz o que fazer, num mundo onde o que é errado é certo, e o certo é apenas uma maneira de justificar o errado
 Me explica por que as pessoas dizem ser boas, ou procurar fazer o melhor por outras quando no fundo pensam apenas em como ser melhores que estas outras pessoas
Me diz quando vão reconhecer o meu valor, ao invés de só apontar meus defeitos e agir apenas pensando neles

Deus, 

Me explica essa minha incapacidade de mudar, mesmo apanhando, mesmo sofrendo, mesmo perdendo, mesmo doendo
Me explica o por que dessa incompreensão humana, quanto ao diferente, ao puro, ao simples, ao verdadeiro
E me perdoe, pela minha incompreensão, perante este mundo, perante a tua criação, perante mim mesma, 
e perante a dor que me fazem sentir, por não conseguir aceitar tudo isso.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Entre a noite de um dia 24 e a manhã de um dia 25...


Uma vez me disseram
de maneira bem ofensiva
que eu gosto de me jogar na lama

Numa determinada noite
em que não havia lua no céu
apenas orvalho frio e escuridão
me puxaram, me empurraram 
para a terra úmida sob a madrugada
o céu claro, azul, anunciando o amanhecer

Nosso jogo de pega pega
que termina num pedido e numa entrega
meus olhos de entrega
e você tomando para si o que já era seu

Naquele lugar mágico,
tudo era incrivelmente mágico
o cheiro da chuva, o cheiro da grama molhada
a terra presa entre as minhas unhas, que arranhavam o chão

Rolei na terra
Sujei todo o meu corpo, todo
deixei seu cabelo sujo e bagunçado
com a força e a delicadeza dos meus dedos

Sou o barco sem cordas que me prendam ao cais
e você a onda suave que me afasta delicadamente
para depois arrebatar meu caminho com avidez

Ainda sinto o cheiro molhado do seu rosto
e o carinho malicioso das suas mãos
Vejo nitidamenete a cor dos seus olhos
mesmo naquela meia luz amarelada de um poste distante
Ouço a sua voz sussurrando
e os risos e silhuetas alheios, as testemunhas
e continuo revivendo aquele sonho

Uma loucura
eu sou assim
de fazer loucuras
por amor
com amor
por cima e por baixo
eu sou assim
e faria muito mais
E no fim o gosto de ser jogada ou me jogar na lama
pode ser muito prazeiroso
E muito mais,
se você me puxar novamente.


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

‎As pessoas mudam........Mesmo?

Eu me apaixonei perdidamente uma certa vez. Foi há muito, muito tempo atrás. Era uma pessoa muito interessante, assim, do meu ponto de vista. Mesmo que amigos em comum achassem que meu gosto era meio estranho, não pela parência, mas pelo comportamento da pessoa. Uma pessoa assim, anti-social, sempre na dele, dificilmente ele ria de alguma piada, parecia achar todos nós um bando de bobos. Na época, eu ainda namorava, um namoro que estava já em decadência, e olha, eu tinha verdadeiros motivos para sentir isso. Não sei se no fundo essa paixão foi uma válvula de escape, mas eu sei que segurei o sentimento durante cerca de sete meses, tentando dizer a mim mesma: você só está frustrada com seu namoro, isso não é um sentimento de verdade. Só sei que o sentimento tava muito difícil de segurar, se é que é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, devia ser isso o que eu estava passando. Até que eu fui percebendo, que nos dias em que via aquela pessoa, eu me arrumava mais, muito mais. Meu coração batia com mais força, eu realmente sentia vontade  de vê-lo. E tantos outros sentimentos, que a gente só tem quando se apaixona, passaram a aflorar forte em mim. E faltava um passo para sair do outro relacionamento, que eu sabia, estar por um fio, eu já não aguentava mais ser mal tratada, por um egoísta, um cara que nem sequer se preocupava em se cuidar, nem para me ver. Uma pessoa que já não me dava valor, não o que eu merecia. E pesando 3 anos de namoro, e um monte de lembranças e coisas profundas de um relacionamento, fui arrastando e dando chances, até não sobrar nada. Nem eu mesma, porque abri mão de mim, da minha vida, e de todos à minha volta, para amar aquilo acima de tudo. Numa noite, o garoto por quem eu já estava apaixonada, saiu comigo para conversar, como sempre fazíamos. A noite foi ótima. Mas, na vez seguinte que nos vimos, ele já não olhava nos meus olhos. Me tratou friamente, secamente, com pequenas patadas e silêncios. E eu sem entender nada, nada mesmo, fiquei durante três meses tentando entender aquele mau trato. E nessas dúvidas, do que eu teria feito, e nessa dor de saudade, vi que estava apaixonada irremediavelmente, e que era melhor não tentar nada, porque se ele simplesmente agia assim com alguém, sem nem dizer o porquê, devia ser difícil a convivência. Se tem uma coisa que eu sou, é inocente. Inocente de achar que seguir o próprio coração é o melhor caminho na vida. Fui atrás. Perguntei se poderia conversar comigo naquele fim de tarde. A resposta foi não. "Nem por 10 minutos?" Não. Me conformei de que pelo menos eu havia tentado entender, mas ele não queria, então, larguei mão. Ao sairmos, perguntei o que tinha de tão importante para fazer que não poderia ceder 10 minutos de seu tempo. Então ele disse que tudo bem, e fomos embora juntos. Só sei que humildemente, perguntei se fiz algo de errado, e ele disse que não, que estava com problemas em casa com a família. Eu disse que  senti saudade, e coisa meio que encaminhou para minha vida particular, como sempre. A verdade é que ele nunca se abriu. Foi sempre assim, bem aos pouquinhos, com uma insistência minha, eu até achava que falava demais, mas sei que não era isso, simplesmente ele não tinha o costume de se abrir.


Na mesma noite, essa pessoa me ligou, e convidando para ver um filme no dia seguinte. Nós fomos. E no dia seguinte à esse, recebi uma das mais lindas declarações de amor do mundo. Um dos meus motivos de perdição. Daí pra frente, as coisas encaminharam-se rápido demais. O que foi me deixando com medo, de um fim também rápido.Coisas lindas foram me acontecendo, coisas que eu nem sabia que gostava, e aquilo passaria a ser um sonho realizado. Com o tempo, fui vendo que nem tudo era um mar de rosas, e fui me decepcionando. Me decepcionando com tanta coisa, e fui tendo um tratamento cada vez mais frio. Tanta coisa para mudar, para concertar, que pensei ter mudado, mas não, não foi. Tudo muito ambíguo: momentos intensamente felizes e amorosos, e por uma coisa pequena, uma frieza enorme. A verdade é que não fiz o meu melhor, tinha ainda muito que aprender, mas este meu jeito inocente sempre me meteu em encrencas. Crescer junto, sonhar junto, fazer planos. Evoluir na vida, realizar metas. Os medos, as inseguranças, eu os tenho e muito, mas quem não os têm? Pra quê serve um relacionamento afinal? Não seria para companheirismo, carinho, dividir momentos bons e ruins? Ter o sorriso da pessoa, procurar cuidar, fazer por onde mostrar a ela, que ela é amada? Se há metas, qual o problema de se incluir o parceiro nelas? Isso é colocar o relacionamento acima de tudo, ou querer compartilhar sua vida? O pior de tudo é que a pessoa me usa como válvula de escape: começa por mim a mudar a vida. Agora, começa a fazer tudo aquilo que desejei, que incentivei.


Sofri muito. Muito mesmo. Não tenho palavras ainda para descrever o que passei, as coisas que ouvi. Tudo aquilo que eu era, foi desmerecido, foi jogado pela janela. Sem remorso. Sem preocupações. Sem importância. Tem uma coisa que eu acho importante, quando você vai dizer algo que não gosta em outra pessoa: nunca fale como se ela só tivesse esses defeitos que você não gosta. Uma pessoa é sempre cheia de virtudes, e fazendo isso, você desmerece completamente o resto. Saiba criticar, sem desmoralizar o outro, sabendo também elogiar. Saber balancear as coisas, é o mínimo que você pode fazer, ao tomar decisões importantes. Nao juntar tudo o que não gosta revoltar-se e ser radical. E acima de tudo: nada, nada justifica você ser cruel. Seja cruel, e isso vai se voltar contra você, muito, muito pior.


Tenho também a inocência de fazer tudo aquilo que quero que façam comigo. Todo cuidado no que falo, para não ofender, penso bem antes de falar, e só se estiver muito nervosa, acabo trocando pés pelas mãos, mas sem ofender, apenas sendo confusa nas palavras. Procuro nunca ser cruel, não machucar os outros. Sou sincera, dura até, mas judiar dos outros não é minha virtude. Mas eu descobri, com o passar do tempo, que as pessoas não são assim. Não importa muito como você é com elas, se você for grosso elas serão grossas, óbvio, mas se for gentil, não vai fazer diferença. O melhor mesmo é ser gentil por educação e realização sua, se esperar algo dos outros, vai ficar esperando para sempre. A única diferença que você faz é ser você mesmo, ser alguém gentil e doce no mundo. O mundo não vai mudar por você, nem te esperar. Mas as  pessoas  mudam. Elas mudam de aparência, de linguajar, de gírias. Mudam inclusive as coisas boas. o que é um absurdo. Mudam o respeito, a docilidade com que tratam as outras. Uma grande importância, sem motivos, passa a ser uma coisa insignificante, talvez não realmente insignificante, mas nas aparências, sim, passam a ser. Mudanças são boas. Quando são verdadeiras, e para o bem. Uma pessoa realmente feliz não maltrata os outros, não age de jeito egoísta, nem tem necessidade de se mostrar, de machucar ninguém. Uma pessoa que pisa nas feridas dos outros, principalmenete se as tiver causado, não me parece ser feliz, ou merecer a felicidade. É esse o caminho então? Eu uso para o que me convir, quando estiver cansado, ou não sendo do jeito que eu quero eu junto tudo e jogo fora? Deve ser um dos meus defeitos: dar chance demais às coisas. Procurar consertar as coisas, sempre. Seguindo o sentimento, ao invés de ser racional. Uma das coisas que mais faço é seguir estes diálogos internos que não me deixam em paz. Realmente não me deixam em paz. E talvez essa bússola que sigo esteja errada. Já descobri que com os seres humanos, não podemos ser sinceros. A sinceridade aparentemente acaba com tudo. E é minha maior dificuldade. Segurar a dor, ou o pranto. Sou muito feliz, e sorrio muito durante o dia, sinceramente, mas nos momentos de dor, parece que eu tenho que guardar, que fingir, porque senão eu serei a fraca. Ou a coitada. Ou aquela que está tendo o que merece. Sendo que para mim isso é tão ridículo. Eu acho que se eu estou sofrendo, o certo seria falar mesmo, e receber apoio, amizade. Mas segundo, uma senhora muito inteligente por sinal: "se você está para baixo, as pessoas só vão lhe jogar mais para baixo.". Que absurdo. Já não existe mais a responsabilidade pelo que se cativa, que eu tanto tento manter. As pessoas mentem, mesmo quando é alguém sincero perguntando se estão bem. Querm fazer pose. Querem parecer não estar nem aí. Ainda não entendo muito isso, mesmo tendo apanhado bastante disso para aprender. Aprendi muitas coisas, e perdebi muitas mudanças em mim. Elas não foram de uma hora para outra, mas só parando para perceber. Já não me afundo na tristeza de antes. Não me afogo na mágoa, saio, faço o que quero e tenho que fazer. Procuro não me cobrar, pois isso já destruiu muito minha vida. Procuro ser gentil e doce, apesar de tudo, tendo estado feliz, muito feliz. Mas dói sim, e muito às vezes. Dói olhar para uma pessoa e não vem mais a pessoa que você tanto amou. Dói amar alguém que não existe mais, um alguém doce, que se importa, que é gentil, que é especial, e que talvez ainda esteja vivo, em algum lugar daquela pessoa. Dói como se um parente querido tivesse partido. Pra mim é uma dor assim, como se alguém tivesse morrido. E claro dói ver que você ama alguém, que talvez nem sequer exista, pois essa frieza me é muito estranha. E é algo que estou sendo alvo pela segunda vez. Com algumas diferenças, que inclusive eu exigi, mas... É assim? Frieza e ódio? Se o desejo é de amizade, como pode voltar a ofender, voltar a dizer coisas horríveis para a pessoa? Realmente ela merece isso? Depois de tudo que foi passado, depois de uma bela dose de sofrimento também? Respeito o pela situação do outro é tão difícil assim? O que nos custa ter paciência e jeito em lidar com o outro?

Ainda sobre a sinceridade, me perguntei muito se devia dizer isso á pessoas que lêem este blog. Mas afinal ele foi feito para isso: desabafos, e que meus amigos saibam da minha vida. Saibam que preciso da ajuda deles, e que nem tudo são flores. O estranho aliás, é se eu não estivesse sentindo nada de ruim. Afinal, o término de um relacionamento é assim mesmo! É alguém que faz parte da sua vida, e vai fazer pelo resto dela. Passar por isso sem sofrer, fingindo, se negando a reconhecer qualquer falta, é no mínimo estranho. E claro,
uma grande mentira.




sexta-feira, ‎15‎ de ‎janeiro‎ de ‎2010, ‏‎cerca de 7:40 da manhã

domingo, 10 de janeiro de 2010

Hachiko.

Não me lembro bem, em que ano esta história se passou. Só sei que se passava na estação de trem Shibuya, no Japão. Nevava. Nevava e o cachorro continuava ali, sentado, em frente à estação esperando pelo dono. Vinha trazê-lo, e buscá-lo no final da tarde. E quando o dono chegava na estação de trem, era uma felicidade imensa, fazia festa, ele ria e iam embora juntos para casa. Fizesse sol, chovesse, fizesse frio, ou nevasse. Ficava sentado ali, exatamente do mesmo modo, esperando pelo retorno daquele que mais amava. Até o dia, em que o dono foi, e não mais voltou. E ele ficou ali, aguardando, até à noite, quando vieram buscar-lhe. E nos dias que se seguiram, ele passou a esperar o dono, no horário em que ia buscá-lo na estação. Até que passou a esperá-lo ininterruptamente. Durante nove anos, aguardou o retorno do dono, dormindo em algum lugar ali perto, se alimentando pela caridade dos passantes ou comerciantes do local. Então numa noite na época de Natal, quando a neve caía, acordou com o barulho do primeiro trem da madrugada. Cambaleou até a estação, deitou-se ali onde sempre esperara, e semicerrou os olhos cansados. Viu o dono saindo das portas da estação, a sorrir para ele, reviu alguns momentos que viveram juntos. O dono abriu os braços, chamou seu nome, e finalmente aquele que sempre viera buscar, veio buscá-lo.