Era uma vez um guarda-chuva....


O guarda chuva é algo mágico, que serve para muito mais que nos proteger da chuva(...)


Seja num desenho, na ficção ou num terreno fértil de criatividade, o guarda-chuva guarda além da chuva, os nossos segredos e mistérios tantos, que cabem perfeitamente embaixo dele.


Você conta seus segredos para qualquer um?


Você abriga qualquer um sob seu guarda-chuva?


Bem Vindos ao My Umbrella...

sábado, 31 de outubro de 2009

Quando escrevo...

Quando escrevo,
Sou Pessoa
Tenho várias e vários de mim, me transformo
me multiplico e me divido, e viro mil
daí escolho um
e nele entro para escrever.
Me tranco no quarto
Me tranco no banheiro
Fico onde precisar, se a inspiração vier
Vai em pé, se for necessário
Vai no bloco de anotações, se for necessário
Vou fazendo amor com as palavras
e elas vão me dando o gozo das tuas frases

Quando escrevo,
Sou Lispector
Sou diversas visões de tudo o que passei
passo, passaria. Mesmo que sejam
visões de mim
sou diferente em cada uma
se o ponto de vista depende da vista de cada ponto.
Cato o pedaço de papel que aparecer
no ônibus, na escola, na sala
e escrevo.
Mas presciso me isolar
mesmo que dentro da multidão
se ninguém está a falar comigo
então estou só
e posso escrever.
E daí, o mesmo processo:
Não tomar banho, se for necessário
Não tomar café, se for necessário
Ser puta, se for necessário
E tudo aquilo me será útil
experiência de escrita, não de vida,
que vivi.
E no fundo, por mais que não seja eu
Todo filho tem um pouco da mãe.

Quando escrevo sou Caeiro
Sou simplista
Minimalista
Sinto o gosto do cheiro
Sou rainha da sinestesia
dos simbolistas.
Sou bucólica, pastoralista
moralista, barroca.
Capto o menor dos movimentos
Pois se Deus diz ser as flores os lagos, as montanhas e o Sol
acredito nele,
porque acredito nas flores nos lagos, nas montanhas e no Sol
Tenho musicalidade, sem me importar com isso
Tenho as rimas pobres e ricas sem me importar com isso
tenho o tudo sem me importar com nada. Isso é ser Caeiro

Caeiro reforça uma tese minha:
Você só se desfaz, ou abandona aquillo que teve em abundância. Se não o tivesse
tido, não trataria com desdém.

Quando escrevo,
Sou Anne Rice
Vejo o belo no feio,
vejo o amor sombrio
e o exploro nos tais Blood Kisses.
Mergulho nessa melancolia da morte,
e ela me traz formas grotescas e intensas
de amor verdadeiro.
A morte que não é morte
É vida eterna...
Os Filhos de Caim
E toda sua linhagem, seu mistério
Meu Livro de RPG predileto, e todo o
World of  Darkness
Minha paixão em vermelho sangue.


Sou melodramática como Àlvares de Azevedo e adolescente como os românticos
e dolorida, da forma madura dos simbolistas.
Mas não faço rimas interpoladas
Nem cruzadas
Faço rimas livres,
versos brancos
A liberdade
me traz mais encantos.

                        

1 comentários:

Bruna Landim disse...

Uma das coisas que eu mais gosto de seus textos é a sinceridade com a sua alma, tão simples e tão Caeira. A sua simplicidade é tão óbvia, - Nelson Rodrigues costumava dizer que "o inteligente de verdade só diz coisas estúpidas, ele só diz o que é óbvio" , - que é lindo. Gostei.